Se você mora de aluguel, em algum momento vai esbarrar com a sigla IGP-M — o famoso “dragão do aluguel”. Ele é o indicador mais usado para reajustar contratos de locação no Brasil e, por anos, foi também o reajuste padrão de tarifas, planos de saúde e contratos comerciais. Quando esse índice sobe acima da inflação ao consumidor, o aluguel cresce mais que o salário — e aí a conta aperta.
Neste guia, explicamos o que é o IGP-M, como ele é calculado, qual o impacto no aluguel, quando vale negociar reajuste e como ele se compara a outros índices como o IPCA. Se você está pesquisando opções de aluguel, vale também conferir nosso guia sobre casas para alugar em Mauá com filtros que mostram o índice de reajuste de cada imóvel.
O que é o IGP-M
O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) é um indicador econômico calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) desde 1989. Ele mede a variação geral de preços na economia brasileira, considerando três grandes setores: atacado, consumidor e construção civil.
É publicado todo dia 30 (ou no último dia útil do mês) e o cálculo cobre o período do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de divulgação. Por isso, o índice de junho, por exemplo, mede a variação de preços entre 21 de maio e 20 de junho. Esse “atraso” de uns dias é importante para entender quando o reajuste do aluguel realmente entra em vigor.
Como o IGP-M é calculado
O IGP-M é uma média ponderada de três índices da própria FGV:
- IPA-M (Índice de Preços ao Produtor Amplo): 60% do peso. Mede preços no atacado — matérias-primas, produtos agrícolas, semielaborados e produtos industriais brutos.
- IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor): 30% do peso. Mede variações no varejo para famílias com renda de 1 a 33 salários mínimos.
- INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção): 10% do peso. Mede insumos e mão de obra da construção civil.
Como o IPA tem peso dominante (60%), o indicador é muito mais influenciado por preços no atacado e câmbio do que por inflação ao consumidor. Quando o dólar dispara, o IPA dispara junto, e o índice explode — mesmo que o IPCA continue moderado. Foi isso que aconteceu em 2020-2021, quando o IGP-M chegou a 37% em 12 meses.

IGP-M e o reajuste de aluguel
O IGP-M é o índice tradicionalmente usado pelos contratos de locação residencial e comercial no Brasil. O artigo 17 da Lei do Inquilinato (8.245/1991) deixa o índice de reajuste por escolha das partes, e por décadas o IGP-M virou o padrão de mercado — em boa parte porque era o índice usado pela FGV para imóveis e a FGV é a referência de pesquisa imobiliária.
Na prática, o reajuste acontece anualmente. Suponha contrato assinado em maio de 2025 com aluguel de R$ 2.000. Em maio de 2026, o reajuste será o índice acumulado entre maio/2025 e abril/2026 (12 meses). Se o valor acumulado foi de 6%, o novo aluguel passa para R$ 2.120.
Por causa dos picos do dragão em 2020-2021 (chegou a 37,04% em junho de 2021), muitos inquilinos pediram migração para IPCA e novos contratos passaram a adotar IPCA como padrão. Hoje, em 2026, há uma divisão razoável: contratos antigos ainda usam IGP-M, contratos novos cada vez mais adotam IPCA.
IGP-M x IPCA: qual escolher no aluguel
Comparando os dois principais índices de reajuste:
| Critério | IGP-M | IPCA |
|---|---|---|
| Quem calcula | FGV | IBGE |
| Foco principal | Atacado + consumidor + construção | Consumo de famílias |
| Influência do câmbio | Alta (atacado) | Média |
| Volatilidade | Alta — picos extremos | Moderada |
| Variação histórica (12m, 2025) | ~4,5% | ~4,3% |
| Variação histórica (12m, 2021) | 37,04% | 10,67% |
| Uso em aluguel | Tradicional | Crescente |
Em períodos econômicos estáveis (como 2025-2026), os dois índices andam próximos. Em períodos de turbulência cambial ou choque de oferta, o indicador da FGV dispara — e quem aluga com ele paga muito mais. Para inquilinos, o IPCA é mais previsível; para proprietários, esse índice historicamente protege melhor o poder de compra. Vale negociar no contrato.
Quando posso negociar o IGP-M do aluguel
A Lei do Inquilinato dá três momentos para revisar o reajuste:
- Na assinatura do contrato: momento ideal. Negocie o índice antes de assinar — IPCA, INPC, IGP-M ou um mix são todas opções legais.
- Antes do reajuste anual: proprietário e inquilino podem ajustar termos por aditivo. Se o índice está prestes a aplicar reajuste agressivo, vale propor manter o aluguel ou usar IPCA daquele ciclo em diante.
- Ação revisional (art. 19 da Lei do Inquilinato): após 3 anos do contrato original ou último ajuste, qualquer parte pode pedir revisão judicial para ajustar ao “valor de mercado”.
Sempre formalize qualquer alteração por aditivo contratual assinado pelas duas partes. Acordos verbais não têm força em caso de disputa.

Onde consultar o IGP-M atualizado
Você pode consultar o IGP-M oficial diretamente:
- Site da FGV/IBRE: publica os dados mensais com atraso de 1-2 dias úteis após o fechamento.
- Banco Central (calculadora do cidadão): permite simular reajuste de um valor por qualquer índice.
- Aplicativos financeiros: bancos e portais como InfoMoney, Valor e G1 publicam o dado mensal.
Para acompanhar o impacto do índice na sua decisão de comprar imóvel, considere também os dados de financiamento habitacional disponíveis no hub de dados da CBIC — eles mostram o ritmo do mercado em paralelo aos índices.
IGP-M e o financiamento de imóvel
O IGP-M também aparece em algumas situações no financiamento imobiliário:
- Saldo devedor de contratos antigos do SFH (Sistema Financeiro de Habitação): alguns contratos pré-2003 usam IGP-M para correção. Contratos novos usam TR (Taxa Referencial) na Caixa ou IPCA em alguns bancos.
- Compra de imóvel na planta: o saldo devedor cresce pelo INCC (componente do índice) durante a obra. Veja como isso afeta a compra em nosso guia de apartamento na planta.
- Contratos comerciais e shopping centers: 90% dos contratos de locação comercial em shoppings usam essa métrica ou variantes.
Para a maioria dos financiamentos residenciais novos, esse indicador já não é o índice padrão. Mas continua relevante na hora de comparar tabelas e entender o custo total. Se está nessa decisão, vale revisar a comparação entre SAC ou Price no financiamento para escolher a estrutura mais alinhada.
Perguntas frequentes sobre IGP-M
O IGP-M sempre é maior que o IPCA?
Não. Em períodos estáveis, os dois andam próximos. Em períodos de alta cambial ou choque de commodities, o índice da FGV sobe mais. Em períodos de desaceleração no atacado, o IPCA pode ficar maior. Não há regra fixa — depende do cenário econômico.
Posso obrigar o proprietário a trocar o índice por IPCA?
Não unilateralmente. A troca depende de acordo entre as partes. Em períodos de alta muito forte (como 2021), muitos proprietários aceitaram a troca por boa-fé contratual e para preservar a relação. Vale propor por escrito antes do reajuste anual.
O que é o IGP-DI e a diferença para o IGP-M?
O IGP-DI mede o mesmo conjunto (atacado, varejo, construção), mas no período do dia 1 ao dia 30 do mês — sem o “atraso” de 10 dias. Os valores costumam ser próximos, mas não idênticos. O índice de mercado é mais usado para contratos pela publicação mais “limpa” no fim do mês.
O IGP-M afeta meu financiamento Minha Casa Minha Vida?
Não diretamente. O Minha Casa Minha Vida 2026 usa TR (Taxa Referencial) como correção do saldo devedor. O índice só afetaria caso você more em imóvel alugado durante o processo de compra.
Conclusão
O IGP-M é um índice central da economia brasileira e o principal reajuste de contratos de aluguel há décadas. Ele reflete bem o atacado e o câmbio, mas pode descolar do IPCA em momentos de choque — gerando reajustes desproporcionais para inquilinos. Em 2026, a tendência é convergência entre os dois indicadores com a estabilização cambial. Mas vale sempre conhecer a métrica do seu contrato e negociar antes de assinar.
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